Pensando no significado da carta A Torre, do tarô: “Em sentido geral, indica dificuldades em todos os aspectos; no plano mental, adverte que o consulente está mergulhado numa situação governada pela temeridade, no qual tudo tende a ser resolvido com presunção, sem atender ao chamado do bom senso ou aos conselhos de outras pessoas. Além disso, a pessoa corre o risco de estagnação, pois se escraviza as idéias que acredita certas.”
No final das contas e apesar de tudo que me foi dito, o ser teimoso aqui insistia em segurar uma torre toda sozinho. Sério, sempre achei que tinha “paleta” pra qualquer coisa. Não que eu ache que não tenha mais, tenho sim. Mas acho que posso e devo escolher aquilo que eu quero preservar. Tristeza e desilusões ensinam a viver, tornando-nos mais fortes e aptos a viver nesse mundo, muitas vezes seco e cruel com seus habitantes. Todo o conjunto do meu passado é apenas um reflexo do que eu fui, das minhas escolhas, choros e sorrisos.
Então, ao deixar uma torre cair, me veio uma outra questão: que fantasmas poderiam surgir destes escombros? Como pagão vivo os ciclos, onde tudo tem seu início e fim bem definidos e para que eu possa finalizar questões pendentes, elas devem estar claras e bem direcionadas. Mas “limpar a sujeira” implica em também sujar as mãos ou cutucar algumas feridas, sejam as minhas ou as de outras pessoas. Nunca me achei apto a ficar julgando as pessoas e sempre que fiz isso me dei mal. Acabava errando em coisas quase que semelhantes. Mas ficar de observador já cansou, nesses últimos meses passei por várias mudanças de postura, tendo picos de raiva, ódio, amor, tristeza, depressão… mas tudo isso me guiou até um estado de auto-conhecimento que eu precisava compreender.
Dizem que “há males que vem para o bem” mas arrisco dizer que não existem males mas sim situações que põe à prova nossa capacidade, obrigando o crescimento e amadurecimento, nem que seja por lágrimas. É isso que eu quero, fechar um ciclo conturbado sem que restem fantasmas assombrando o local onde a torre cairá, pois dos escombros nascerá uma nova obra, dando início a um novo ciclo…

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