O Círculo Wiccaniano Serpente de Fogo foi formado a partir da inspiração de nossos fundadores e sua conexão com os Deuses, com o intuito de satisfazer as ânsias destes que buscavam por trilhar um caminho devocional e iniciático, ligado ao culto dos Antigos e a celebração dos Mistérios mais profundos da Existência.
Seu nome se deve especialmente a nossa ligação com a primitiva energia draco-ofidiana que poeticamente dá significado àquilo que impulsiona e dá ritmo à realidade humana. Primitiva, jamais no sentido de ultrapassada ou rudimentar, mas sim significando aquilo que é profundo e primordial. De natureza mítica eclética, centramos nossas crenças e liturgias no culto a Deusa e ao Deus, manifestados nas mais diversas culturas, dando preponderância ao mito da Serpente de Fogo, símbolo do êxtase, do instinto, do desejo e da sabedoria.
Quem são os nossos membros?
Agda Keelin
Elder e Fundadora da Casa, membro do nosso Conselho. Ainda se mantêm em treinamento iniciático e sacerdotal.
Revda. AnaKalinanna
Matriarca e responsável pela manutenção dos Mistérios Femininos na Casa. Reconhecida como sacerdotisa de 2º grau, é a Ancestral Iniciática do nosso grupo. Como Matriarca, possui assento inviolável no Conselho (o grupo de membros que assiste e dá assistência a Liderança, assim como tem papel fundamental nas principais decisões), além de outras funções e atribuições.
Revdo. Lugus Dagda Brigante
Elder, Fundador da Casa e o primeiro Iniciado de Revda. AnaKalinanna. É a pessoa titular da Liderança, um tipo de órgão responsável pela representatividade de todo o grupo, sua Soberania e preservação da identidade grupal, com titularidade eletiva e vitalícia. Como Líder, em decisões onde cabe o reconhecimento da vontade grupal e daquilo que é melhor para o grupo, não possui poder de voto somente sanciona todas as decisões, sendo de sua responsabilidade aplicar e fazer valer tudo aquilo que é decidido. Sua função é defender, orientar, representar e fazer a unidade da Casa, assim como os Deuses que honramos. Lugus, como a maioria o conhece, já participou e organizou dezenas de atividades direcionadas a comunidade pagã, antes e depois do Círculo. Está em estudo e treinamento há nove Rodas, ingressando na terceira Roda de treinamento no Círculo, se preparando então para a Iniciação de 3º grau e o Sumo-Sacerdócio.
Revda. Flora Zabella
A primeira Dedicada e Iniciada de Revdo. Lugus. Mora em Imbé, no litoral do RS, longe do núcleo central de Porto Alegre e esforça-se para desenvolver métodos educativos para nossas crianças pagãs. É considerada pela comunidade uma das figuras mais carismáticas do Círculo, pela sua simplicidade e atenção com nossos pequenos. Estuda e prepara-se para ascender ao sacerdócio de 2º grau e obter sua autonomia na regência de um pequeno grupo da sua região.
Revda. Sulis Éochaid de Minerva
A segunda Dedicada e Iniciada de Revdo. Lugus. Foi honrada com a função de Donzela do Círculo e assim desempenha suas atividades, dando auxílio crucial aos trabalhos da Matriarca, da Liderança e eventualmente à Revda. Flora Zabella. É responsável pelos pequenos detalhes da organização de atividades, rituais e trabalhos devocionais, tarefas imprescindíveis para alcançarmos o máximo e o melhor em nossas experiências sacerdotais.
Siegfried Von Fafnir
O terceiro Dedicado de Revdo. Lugus. Foi honrado como Pajem da Casa (função também conhecida como “Guardião”) dando assistência e suporte ao Círculo nas atividades públicas, zelando pela sua segurança em diversos níveis. Encontra-se em treinamento Para a Iniciação e vivenciando os Mistérios da Noite Escura da Alma (Dedicação).
Hermes Doran
O quarto Dedicado de Revdo. Lugus. Assim como Siegfried, também foi honrado como Pajem e ao lado de seus irmãos desempenha essa função que é tão preciosa pelo zelo da Casa. Também está em Dedicação em encontra-se em treinamento para a Iniciação.
Questões “Polêmicas”
Referimo-nos a essas como polêmicas, pois assim o fazem aqueles que nada compreendem à nosso respeito e acreditam que possuem o direito de falar em nossos nomes, quando não, distorcendo o significado de nossas práticas, causando transtornos, constrangimentos e situações desagradáveis para toda a comunidade. Depois de muita relutância, é exatamente por esse motivo, que nos vimos obrigados a vir a público com todo esse esclarecimento, pois é de concordância geral não mais aceitarmos qualquer tipo de engodo causado por outrem.
“Vocês cobram por Iniciação?” – A resposta é clara e óbvia: NÃO. Isso não existe dentro do nosso Círculo, pois acreditamos que a graça de proporcionar suporte ao Caminho de um filho ou irmão na Arte, não se trata de um trabalho comum a qual possa ser remunerado. MAIS DO QUE ISSO: ninguém pode obrigar a dedicar ou Iniciar alguém, logo uma sacerdotisa ou um sacerdote estarão dedicando e iniciando isso pelo amor e pelo prazer de fazê-lo. Todos os nossos gastos são sustentados por contribuições espontâneas dos membros, cada um de acordo com suas possibilidades. Somos uma congregação de praticantes de Wicca, uma família e não uma empresa.
“Porque vocês estão imitando outros grupos e vendendo produtos iguais aos deles?” – Essa pergunta, sem dúvidas, dá força para dizermos que essa é uma das situações mais desagradáveis que temos vivenciado nos últimos meses, até porque a verdadeira situação é exatamente o contrário. Desde novembro, passamos a disponibilizar alguns artefatos mágicos que confeccionamos de acordo com nosso conhecimento e experiência nessa arte. Algumas pessoas ganharam nossos kits em sorteios realizados nos ESP®’s-RS e em pouco tempo, com o maior descaramento, falta de ética e respeito, passaram a “produzir” e vender através de seus grupos, “artefatos” iguais ou pelo menos muito semelhantes aos nossos. Isso sem contar o fato de se utilizarem de explicações idênticas aos rótulos e livretos explicativos que acompanham nosso trabalho. Uma situação desestimulante para qualquer pessoa que trabalha e tem seu feito usurpado por pessoas que não tem respeito ou escrúpulo algum. Essas mesmas pessoas costumam arrotar palavras ridículas a respeito de seus feitos, que em todos os momentos trata-se de reproduções mal-feitas de nosso trabalho, quando não, mentiras para enganarem leigos e iludirem aqueles que chamam de neófitos. Entendemos e respeitamos o fato de que, é normal e interessante que pessoas se inspirem em trabalhos que admiram, mas o fato é que isso está longe de ser mera inspiração.
“Ouvi dizer que os Iniciadores desse Círculo são vampiros energéticos e que causam mal às pessoas (…)” – Nosso esclarecimento para esse boato ridículo, invejoso e sem fundamento é simples: pessoas que passam semanas de suas vidas se preparando para conduzir um ritual público anual, deixando explícito para quem quiser ver a satisfação e bem-estar de todos os participantes (o que geralmente é em torno de 120 pessoas) não são o melhor tipo de exemplo para vampiros energéticos. E dar satisfação ao culto e aos seus praticantes é um de nossos maiores prazeres, não o contrário. Entretanto, podemos mencionar a existência de pessoas mal-intencionadas – na maioria das vezes as mesmas que levantam esses boatos – que inúmeras vezes escondem-se nas sombras dos parques na espreita de nossas atividades, fazendo atos ou gestos que lembram pragas e maldições. Enfim, a verdade é visível e gritante aos olhos da nossa comunidade.
“O Círculo Serpente de Fogo rejeita o termo Bruxaria e isso é errado (…)” – Outro engodo triste e sem sentido. Algumas pessoas mal-informadas andam usando esse argumento para colocar força nas suas críticas destrutivas, como se pudessem ditar o que é certo e errado no caminho da Arte. Incomodam-se por usarmos mais os termos sacerdotisa e sacerdote e do que bruxa e bruxo e nessa campanha, acusam-nos dizendo que a Wicca é oriunda da Bruxaria, passando a se auto-intitularem “bruxos e sacerdotes” obrigatoriamente, com uma justificativa fraca que muito mais lembra a sede pelo acúmulo de títulos do que uma real necessidade de identificação. O fato de usarmos somente um termo e não dois, se deve ao fato de não sentirmos necessidade desse acúmulo sem real necessidade, visto que, sendo a Wicca, a Bruxaria Moderna, está implícito que suas sacerdotisas e sacerdotes são bruxas e bruxos.
“Eles fazem sincretismo com Umbanda e tem congares no lugar de altares.” – Isso não é verdade e há muito tempo faz parte do nosso esforço compreender e ensinar as diferenças entre as religiosidades pagãs e aquelas de cunho cristão, oriundas do sincretismo. Respeitamos todas as crenças e religiões e por isso temos um cuidado enorme quando dançamos e conhecemos deusas e deuses de diferentes panteões. Temos devoção por deuses do panteão celta, grego, romano, egípcio e iorubá (um panteão africano, o mais conhecido no Brasil pela sua presença na religiosidade afro-brasileira) da mesma forma que inúmeros grupos pagãos ou wiccanianos também o fazem. Consideramos ignorância máxima fazer afirmações desse tipo, quando na verdade mal nos conhecem e jamais participaram de nossas experiências internas.
“Porque usam termos como ‘reverenda’ e ‘reverendo’? Não são termos arcaicos destinados aos clérigos de certas denominações cristãs?” – Palavras e termos pertencem ao seu idioma, ao seu povo, não a uma religião ou outra. Apesar dessa maneira de se referir aos sacerdotes pagãos não ser comum no Brasil, é de uso corrente no mundo e amplamente difundido, para a surpresa dos desinformados. Encontram-se em uso, por exemplo, na Correlian Tradition, na Cabot Tradition Of Witchcraft, na Aquarian Tabernacle Church, em alguns ramos da Wicca Diânica e entre diversos outros grupos autônomos, praticantes de Wicca ou outros tipos de Bruxaria. Porque usar esse termo em detrimento de outros? Porque não achamos adequados o termo “mestre ou mestra” na nossa caminhada, visto que não somos mestres de ninguém. Porque termos como sacerdotisa e sacerdote também já estão implícitos e porque “reverendo(a)” não se trata de um título, mas sim uma forma digna e respeitosa de nos referirmos àqueles que dedicam suas vidas e as entregam aos Deuses, com extrema reverência. Isso significa que no nosso grupo, membros Iniciados passam a serem reconhecidos como reverendas(os) , até como uma forma de facilitar nosso trabalho público e reconhecimento de nosso sacerdócio, quando da visitação em asilos e hospitais. Não nos importamos com títulos, mas sim com nossa identidade.
“Nunca ouvi falar de ‘círculo’ na Wicca. Os grupos se chamam ‘covens’!” – Mais um absurdo oriundo da ignorância sobre Wicca e que infelizmente tem sido alimentada por pessoas que se dizem praticantes da mesma. Covens são realmente a forma mais conhecida e tradicional de se praticar Wicca em grupo, entretanto, Círculos são tão comuns quanto eles e tratam-se de estruturas grupais semelhantes, com a diferença de que os primeiros possuem uma egrégora mais antiga e fundamentada. Apesar de na prática já podermos ser considerados um Coven, não estamos desesperados para assim sermos reconhecidos, pois esse é o tipo de coisa que consideramos mínimo em nossa caminhada. Além do mais, temos consciência da responsabilidade que é assumir um Coven e reconhecer sumo-sacerdotes, algo que jamais ocorrerá da noite para o dia, como infelizmente tem acontecido entre alguns grupos desorientados e que com esses engodos, só estão contribuindo cada vez mais para uma imagem negativa do Paganismo e da Religião Wicca.
Sobre atividades públicas
Em poucos meses de existência, o Círculo Serpente de Fogo já havia agregado às suas atividades normais de culto e treinamento sacerdotal, o conhecido trabalho público herdado do caminho de alguns de nossos membros-fundadores, passando a fazer desse serviço à comunidade pagã do Rio Grande do Sul, não somente uma forma de qualificar nossos sacerdotes e sacerdotisas, mas também uma agradável maneira de dançar o ritmo dos ciclos e dos Antigos, de uma forma livre, simpática e popular. Nossos membros são estimulados a compreender o quão importante é a interação direta com a comunidade local, pois acreditamos que informar e proporcionar esclarecimento a respeito das práticas pagãs trata-se de uma obrigação para todos aqueles que querem e pedem por um mundo mais livre de preconceitos. Aliás, é importante salientar que não realizamos atividades públicas e externas para reunir adeptos, buscar satisfazer qualquer tipo de “missão divina”, muito menos com o intuito de fazer proselitismo. Nossa intenção é tão somente satisfazer nossas próprias expectativas a respeito daquilo que consideramos sadio e interessante para a Velha Religião na nossa comunidade, de acordo com aquilo que já foi mencionado. Atualmente o C.W.S.F. é encarregado de duas importantes atividades públicas no RS: o Encontro Social Pagão®-RS, o qual ocorre mensalmente e o Dia do Orgulho Pagão – Porto Alegre, que ocorre anualmente. Ambos são eventos fundados e coordenados por grupos distintos (o primeiro pelo Projeto Gaia Paganus®, do Rio de Janeiro; o segundo pelo Pagan Pride Project®, dos EUA), mas que são de nossa responsabilidade em nossa região. Isso significa – e é importante salientar, visto os engodos gerados por alguns – que não podemos nos responsabilizar por atividades que não estão sob nossa direção, e que tanto o ESP®-RS quanto o Dia do Orgulho Pagão – Porto Alegre são atividades coordenadas unicamente por nós e com a participação de AMIGOS da Casa.
Em suma, não buscamos estarmos certos ou errados, pois não nos pautamos nessa linha ocidental de raciocínio. Também não buscamos nenhum tipo de fama, pois já temos larga experiência a respeito do que isso significa e o que acarreta a curto e em longo prazo. Buscamos sermos NÓS MESMOS, num eterno e profundo exercício de AUTENTICIDADE e sincera reverência aos Deuses que honramos e os quais nos concedem todas as suas Graças.
E como último esclarecimento, deixamos claro que não viemos por meio desse gerar mais polêmicas ou desconforto à comunidade, mas sim manifestar nosso incômodo e insatisfação para com situações desagradáveis que a nós tem acometido e principalmente proporcionar informações seguras e verdadeiras a respeito do nosso trabalho e de nossa congregação.

Agradecemos pela atenção.
Abençoados sejam pelos Deuses que nos amparam.
~ CÍRCULO WICCANIANO SERPENTE DE FOGO
Samhain 2009
Publicado em Desabafo, Paganismo, Serpente de Fogo
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