|06:45|

•julho 4, 2009 • 1 Comentário

Acordo no meio da madrugada.

Minhas mãos procuram teu corpo como que se fosse uma forma de garantir que estás ao meu lado e que não estou sonhando.

E você está.

E fico te observando, analisando cada traço do seu rosto, o ritmo da respiração, o calor e suavidade da tua pele. Aproximo meu rosto ao seu, querendo sentir teu cheiro e, mesmo depois de tantos meses sem tê-lo sentido, ainda seria capaz de distinguir o teu perfume de longe.

Procuro algum relógio para me situar no tempo.

Ainda falta pelo menos 1hora até o primeiro despertador tocar. Ajeito-me, mas não tenho sono e então fico quieto, abraçado em vocês e pensando em como os dias tem sido felizes. É neste momento que entro em meu universo particular, um espaço sagrado inviolável onde perco a noção do tempo. Apenas fico ali… Penso que estou onde meu coração gostaria de ter estado nos últimos meses.

Volto de supetão.

Você se mexe e eu, ainda com medo de te machucar, me afasto até que tenhas te ajeitado. Quando me aproximo de ti novamente, você se vira e tua cabeça procura meu peito e ali então repousa. Meus braços envolvem teus ombros e as costas, teu corpo toca o meu e nossas pernas se encaixam de tal forma que eu não saberia naquele instante definir. Sonolenta, você ergue o rosto e beija meu pescoço e, nesses poucos segundos em que tudo isto aconteceu, enquanto a cidade dormia e a noite silenciosa predominava, tive a certeza absoluta de ser o homem mais feliz do Mundo.

Estampo um sorriso e fecho os olhos, poderia dormir assim durante horas a fio.

Mas um barulho emerge no silêncio do quarto, acabando com qualquer expectativa de que este momento duraria para sempre.

São 06:45.

Àquela hora havia passado voando, um momento eterno que durou apenas alguns minutos. Os compromissos do cotidiano nos chama, a cidade desperta e o Sol já invadem o quarto. Você então abre os olhos e, com um olhar carinhoso estampa um lindo sorriso…

Então eu tenho o motivo que faltava para levantar disposto e feliz: você.

… simples assim.

•junho 15, 2009 • 1 Comentário

Esses dias tava pensando sobre minha vida, em como cheguei até hoje e sou o que sou. E, pra ser sincero, sou menos do que esperava ser, quando tinha meus sonhos e utopias de 10 anos atrás.

Utopias são quebradas e colocadas de lado, na mesma prateleira onde ficam os sonhos que são abandonados no decorrer da caminhada e que hoje parecem bobos e infantis. Acho que o mundo transforma as pessoas de tal forma, ensinando a abandonar sentimentos em si e dando ênfase ao raciocínio lógico e comportamento padrão, moldando e ajustando da melhor forma possível para a sociedade.

Nesse ponto você pode pensar que sou um revolucionário, adepto de Che ou qualquer pensamento que vá contra o sistema. Mas não é bem isso, a questão que eu levanto aqui é sim a busca pela individualidade de cada um e claro, a minha.

Na realidade, sempre fui bem teimoso desde pequeno, desenvolvendo capacidades de “autodefesa” desde cedo, decorrentes de problemas familiares. Isso me tornou uma pessoa mais fria e calculista. Ah sim, e como minha mãe me dizia: Cruel.

Não sou o orgulho profissional da família, pois também mudei de empregos visando uma melhoria que só eu podia enxergar. E não tenho do que reclamar, mesmo meu pai não sendo muito orgulhoso com isso e meu avô sempre repetindo: “pedra que muito rola não cria limo”. Sei lá, não quero criar limo… ou não queria.

A conseqüência de todos os “erros” que tive durante minha vida me trouxeram até aqui, neste momento e se mostraram acertos, ensinamentos e foram convertidas em coisas boas. Sejam sentimentos, lições ou pessoas, são hoje todos muito preciosos na minha vida.

E, como escrevi num post anterior, hoje tenho um sentido pra acordar de manhã. Não que minha filhota não merecesse minha atenção, é óbvio que merece e eu faço questão de trabalhar pra dar tudo que ela merece. Mas me refiro a ter aquela companhia sincera, que te alegra o dia só com um sorriso ou com um abraço, mas que as vezes parece habitar apenas meus sonhos.

.

Depois de praticamente uma semana, agora retomo esse post.

.

Não sabia direito o que escrever mais sem ser repetitivo, sabem quando a pessoa trava? Pois é, sei o que sinto, mas expressar se torna quase que impossível. Fazer essa tradução entre abstrato e concreto muitas vezes complica a vida do “vivente”.

Porém, estes últimos dias me deram uma perspectiva mais ampla e salvaram o final. Acredito que esta semana tenha sido meio que colocando à prova tudo que eu vinha dizendo e escrevendo, mostrando a mim mesmo como eu quero proteger e cuidar da pessoa que eu amo e com um simples abraço ou um beijo poder transformar o Mundo todo a minha volta.

Simplicidade: Eu acordado, abraçado contigo e pensando como em certos momentos foi difícil ter tranqüilidade, em querer jogar tudo pro alto e esquecer toda essa história, mas que ouvir meu coração, confiar nos meus sentimentos e manter esse senso meio louco do que eu quero pra minha vida, me levou a este dia. Uma bela manhã de domingo, aproveitando momentos que fizeram valer a pena toda essa caminhada, acompanhando tua respiração e me perdendo nesse breve espaço de tempo. O que mais um homem pode querer?

Dar-te bom dia com meu cabelo bagunçado e cara amassada, sentindo ainda o cheiro e calor do teu corpo. Teu sorriso ainda sonolento, ainda se situando neste plano.

Levanto e só quero é buscar um pãozinho novo pra um café da manhã legal para vocês duas…

Simples assim.

Três Meninas

•junho 3, 2009 • Deixe um comentário

Sempre senti que a minha vida…
era uma pergunta sem resposta.

Uma série de dias e noites,
esperando alguma coisa acontecer,

mas…

não sabia o quê.

Nós estamos conectados.
Onde quer que eu esteja,
eu sinto você…

Você é o que me torna real.

Quero que nós…
Sempre saiamos para
tomar um sorvete.

Aproveitemos o sol
numa tarde de inverno
sentados na grama

ou

o brilho do luar
deitados na cama
rindo, lembrando de algo engraçado.

Assistiremos a algum filme
E você dormirá no meio.
E no silêncio que habita o sono
Eu estarei ali, te acariciando os cabelos e…

Sorrindo.

Com um brilho inocente no olhar,
zelando, protegendo
me sentido completo.

E nunca, nunca quero
perder um jantar sequer.

E é assim que sei
que quero você.

Porque uma coisa tão simples
como um jantar
é o ponto alto da minha semana.

e…

R…
eu cuidaria de você
como se fosse a minha vida.

E seria o homem mais feliz deste Mundo
apenas escutando os risos e brincadeiras
das crianças pela casa.

Eu e minhas 3 meninas.

.boa noite

•maio 19, 2009 • 1 Comentário

requiem_for_a_dreamAndo pensativo… até demais.

Estamos em Samhain e, para nós pagãos, é um período em que ciclos são finalizados, abandonamos tudo aquilo que não nos faz bem, que estavam fadados a darem errados e seguimos em frente, rumo ao novo.

Mas também vejo essa época como um período de fortalecimento de tudo aquilo que veio no decorrer desta Roda do Ano que, de algum modo, amadureceu e que se deseja manter seguro do frio do inverno. Profundo, não?

Enfim, fiquei avaliando tudo que me aconteceu e, quem conviveu comigo pode observar o turbilhão de sentimentos que ficou pairando sobre minha mente. E logo em cima de quem, um cara que sempre teve a cabeça no lugar e soube lidar bem com isso. Bom, hoje eu sei que não lidava tão bem assim com meus sentimentos e, para poder entender isto tive que ter acessos de raiva intensos assim como princípios de depressão tirando todo e qualquer ânimo pra realizar a tarefa que fosse.

E, nesse turbilhão maluco de sentimentos incontroláveis, uma única coisa se manteve em absoluta constância. O sentimento de amor, sendo ele o amor paterno e o por uma mulher. E eu tive que aprender a respeitar muito mais coisas que acreditava não serem necessárias e que hoje vejo como fatores importantes para uma relação. E com isso tenho plena consciência do tamanho do egoísmo que eu estava tendo. Não que estivesse certo ou errado, mas olhar para a pessoa à sua frente e saber respeitar decisões e, por mais que estas apertem muitas feridas, calar e apenas se tornar um observador passivo é quase um dom.

Nunca quis ser melhor ou pior que alguém. A comparação nunca me agradou. Somente quis ser eu mesmo e ser valorizado por isto, ocupando o espaço que eu mereço de forma justa e honesta e, em conseqüência disto, poder sempre ser melhor para eu mesmo e para as pessoas que amo.

E assim vou seguindo, sem ter muito que falar, pois tudo que havia para ser dito já o foi feito domingo agora.  Quieto e com um sorriso bobo estampado no rosto, cujo qual não consigo disfarçar quando te vejo.  Quando toda e qualquer defesa que eu tenha criado é derrubada com o simples toque da tua mão gelada no meu ombro e com o teu cheiro pairando no ar. E  como já notaste, evito olhar diretamente nos teus olhos. Não por medo, mas sim porque isto estremece minha alma e corpo alimentando a esperança de que, se existe uma pessoa com quem quero passar muito tempo ao lado, essa pessoa é você.

E isso me confunde e faz perder linhas e linhas de raciocínio alimentando meu desejo.

Cometi o erro de te procurar em outras pessoas, quando devia não ter procurado ninguém.

Porque devo dizer que só penso em você desde que acordo?
Ajudaria dizer que às vezes não posso pensar com clareza, nem trabalhar direito?
Qual é o benefício de lhe dizer que a única vez que sinto medo como os outros, é quando a vejo em perigo?

Que saudade de te ver dormindo e de fazer carinho nos teus cabelos enquanto acompanho tua respiração…

.

Travei.

.

Não sei mais o que escrever aqui. Já são cinco e pouco da madrugada e, pra variar, acabo me empolgando e pensando, escrevendo e querendo mais…

Só queria agora te abraçar e dizer “boa noite”.

Manifesto: Carta à Comunidade Pagã

•maio 13, 2009 • 2 Comentários

O Círculo Wiccaniano Serpente de Fogo foi formado a partir da inspiração de nossos fundadores e sua conexão com os Deuses, com o intuito de satisfazer as ânsias destes que buscavam por trilhar um caminho devocional e iniciático, ligado ao culto dos Antigos e a celebração dos Mistérios mais profundos da Existência.

Seu nome se deve especialmente a nossa ligação com a primitiva energia draco-ofidiana que poeticamente dá significado àquilo que impulsiona e dá ritmo à realidade humana. Primitiva, jamais no sentido de ultrapassada ou rudimentar, mas sim significando aquilo que é profundo e primordial. De natureza mítica eclética, centramos nossas crenças e liturgias no culto a Deusa e ao Deus, manifestados nas mais diversas culturas, dando preponderância ao mito da Serpente de Fogo, símbolo do êxtase, do instinto, do desejo e da sabedoria.

Quem são os nossos membros?

Agda Keelin

Elder e Fundadora da Casa, membro do nosso Conselho. Ainda se mantêm em treinamento iniciático e sacerdotal.

Revda. AnaKalinanna

Matriarca e responsável pela manutenção dos Mistérios Femininos na Casa. Reconhecida como sacerdotisa de 2º grau, é a Ancestral Iniciática do nosso grupo. Como Matriarca, possui assento inviolável no Conselho (o grupo de membros que assiste e dá assistência a Liderança, assim como tem papel fundamental nas principais decisões), além de outras funções e atribuições.

Revdo. Lugus Dagda Brigante

Elder, Fundador da Casa e o primeiro Iniciado de Revda. AnaKalinanna. É a pessoa titular da Liderança, um tipo de órgão responsável pela representatividade de todo o grupo, sua Soberania e preservação da identidade grupal, com titularidade eletiva e vitalícia. Como Líder, em decisões onde cabe o reconhecimento da vontade grupal e daquilo que é melhor para o grupo, não possui poder de voto somente sanciona todas as decisões, sendo de sua responsabilidade aplicar e fazer valer tudo aquilo que é decidido. Sua função é defender, orientar, representar e fazer a unidade da Casa, assim como os Deuses que honramos. Lugus, como a maioria o conhece, já participou e organizou dezenas de atividades direcionadas a comunidade pagã, antes e depois do Círculo. Está em estudo e treinamento há nove Rodas, ingressando na terceira Roda de treinamento no Círculo, se preparando então para a Iniciação de 3º grau e o Sumo-Sacerdócio.

Revda. Flora Zabella

A primeira Dedicada e Iniciada de Revdo. Lugus. Mora em Imbé, no litoral do RS, longe do núcleo central de Porto Alegre e esforça-se para desenvolver métodos educativos para nossas crianças pagãs. É considerada pela comunidade uma das figuras mais carismáticas do Círculo, pela sua simplicidade e atenção com nossos pequenos. Estuda e prepara-se para ascender ao sacerdócio de 2º grau e obter sua autonomia na regência de um pequeno grupo da sua região.

Revda. Sulis Éochaid de Minerva

A segunda Dedicada e Iniciada de Revdo. Lugus. Foi honrada com a função de Donzela do Círculo e assim desempenha suas atividades, dando auxílio crucial aos trabalhos da Matriarca, da Liderança e eventualmente à Revda. Flora Zabella. É responsável pelos pequenos detalhes da organização de atividades, rituais e trabalhos devocionais, tarefas imprescindíveis para alcançarmos o máximo e o melhor em nossas experiências sacerdotais.

Siegfried Von Fafnir

O terceiro Dedicado de Revdo. Lugus. Foi honrado como Pajem da Casa (função também conhecida como “Guardião”) dando assistência e suporte ao Círculo nas atividades públicas, zelando pela sua segurança em diversos níveis. Encontra-se em treinamento Para a Iniciação e vivenciando os Mistérios da Noite Escura da Alma (Dedicação).

Hermes Doran

O quarto Dedicado de Revdo. Lugus. Assim como Siegfried, também foi honrado como Pajem e ao lado de seus irmãos desempenha essa função que é tão preciosa pelo zelo da Casa. Também está em Dedicação em encontra-se em treinamento para a Iniciação.

Questões “Polêmicas”

Referimo-nos a essas como polêmicas, pois assim o fazem aqueles que nada compreendem à nosso respeito e acreditam que possuem o direito de falar em nossos nomes, quando não, distorcendo o significado de nossas práticas, causando transtornos, constrangimentos e situações desagradáveis para toda a comunidade. Depois de muita relutância, é exatamente por esse motivo, que nos vimos obrigados a vir a público com todo esse esclarecimento, pois é de concordância geral não mais aceitarmos qualquer tipo de engodo causado por outrem.

“Vocês cobram por Iniciação?” – A resposta é clara e óbvia: NÃO. Isso não existe dentro do nosso Círculo, pois acreditamos que a graça de proporcionar suporte ao Caminho de um filho ou irmão na Arte, não se trata de um trabalho comum a qual possa ser remunerado. MAIS DO QUE ISSO: ninguém pode obrigar a dedicar ou Iniciar alguém, logo uma sacerdotisa ou um sacerdote estarão dedicando e iniciando isso pelo amor e pelo prazer de fazê-lo. Todos os nossos gastos são sustentados por contribuições espontâneas dos membros, cada um de acordo com suas possibilidades. Somos uma congregação de praticantes de Wicca, uma família e não uma empresa.

“Porque vocês estão imitando outros grupos e vendendo produtos iguais aos deles?” – Essa pergunta, sem dúvidas, dá força para dizermos que essa é uma das situações mais desagradáveis que temos vivenciado nos últimos meses, até porque a verdadeira situação é exatamente o contrário. Desde novembro, passamos a disponibilizar alguns artefatos mágicos que confeccionamos de acordo com nosso conhecimento e experiência nessa arte. Algumas pessoas ganharam nossos kits em sorteios realizados nos ESP®’s-RS e em pouco tempo, com o maior descaramento, falta de ética e respeito, passaram a “produzir” e vender através de seus grupos, “artefatos” iguais ou pelo menos muito semelhantes aos nossos. Isso sem contar o fato de se utilizarem de explicações idênticas aos rótulos e livretos explicativos que acompanham nosso trabalho. Uma situação desestimulante para qualquer pessoa que trabalha e tem seu feito usurpado por pessoas que não tem respeito ou escrúpulo algum. Essas mesmas pessoas costumam arrotar palavras ridículas a respeito de seus feitos, que em todos os momentos trata-se de reproduções mal-feitas de nosso trabalho, quando não, mentiras para enganarem leigos e iludirem aqueles que chamam de neófitos. Entendemos e respeitamos o fato de que, é normal e interessante que pessoas se inspirem em trabalhos que admiram, mas o fato é que isso está longe de ser mera inspiração.

“Ouvi dizer que os Iniciadores desse Círculo são vampiros energéticos e que causam mal às pessoas (…)” – Nosso esclarecimento para esse boato ridículo, invejoso e sem fundamento é simples: pessoas que passam semanas de suas vidas se preparando para conduzir um ritual público anual, deixando explícito para quem quiser ver a satisfação e bem-estar de todos os participantes (o que geralmente é em torno de 120 pessoas) não são o melhor tipo de exemplo para vampiros energéticos. E dar satisfação ao culto e aos seus praticantes é um de nossos maiores prazeres, não o contrário. Entretanto, podemos mencionar a existência de pessoas mal-intencionadas – na maioria das vezes as mesmas que levantam esses boatos – que inúmeras vezes escondem-se nas sombras dos parques na espreita de nossas atividades, fazendo atos ou gestos que lembram pragas e maldições. Enfim, a verdade é visível e gritante aos olhos da nossa comunidade.

“O Círculo Serpente de Fogo rejeita o termo Bruxaria e isso é errado (…)” – Outro engodo triste e sem sentido. Algumas pessoas mal-informadas andam usando esse argumento para colocar força nas suas críticas destrutivas, como se pudessem ditar o que é certo e errado no caminho da Arte. Incomodam-se por usarmos mais os termos sacerdotisa e sacerdote e do que bruxa e bruxo e nessa campanha, acusam-nos dizendo que a Wicca é oriunda da Bruxaria, passando a se auto-intitularem “bruxos e sacerdotes” obrigatoriamente, com uma justificativa fraca que muito mais lembra a sede pelo acúmulo de títulos do que uma real necessidade de identificação. O fato de usarmos somente um termo e não dois, se deve ao fato de não sentirmos necessidade desse acúmulo sem real necessidade, visto que, sendo a Wicca, a Bruxaria Moderna, está implícito que suas sacerdotisas e sacerdotes são bruxas e bruxos.

“Eles fazem sincretismo com Umbanda e tem congares no lugar de altares.” – Isso não é verdade e há muito tempo faz parte do nosso esforço compreender e ensinar as diferenças entre as religiosidades pagãs e aquelas de cunho cristão, oriundas do sincretismo. Respeitamos todas as crenças e religiões e por isso temos um cuidado enorme quando dançamos e conhecemos deusas e deuses de diferentes panteões. Temos devoção por deuses do panteão celta, grego, romano, egípcio e iorubá (um panteão africano, o mais conhecido no Brasil pela sua presença na religiosidade afro-brasileira) da mesma forma que inúmeros grupos pagãos ou wiccanianos também o fazem. Consideramos ignorância máxima fazer afirmações desse tipo, quando na verdade mal nos conhecem e jamais participaram de nossas experiências internas.

“Porque usam termos como ‘reverenda’ e ‘reverendo’? Não são termos arcaicos destinados aos clérigos de certas denominações cristãs?” – Palavras e termos pertencem ao seu idioma, ao seu povo, não a uma religião ou outra. Apesar dessa maneira de se referir aos sacerdotes pagãos não ser comum no Brasil, é de uso corrente no mundo e amplamente difundido, para a surpresa dos desinformados. Encontram-se em uso, por exemplo, na Correlian Tradition, na Cabot Tradition Of Witchcraft, na Aquarian Tabernacle Church, em alguns ramos da Wicca Diânica e entre diversos outros grupos autônomos, praticantes de Wicca ou outros tipos de Bruxaria. Porque usar esse termo em detrimento de outros? Porque não achamos adequados o termo “mestre ou mestra” na nossa caminhada, visto que não somos mestres de ninguém. Porque termos como sacerdotisa e sacerdote também já estão implícitos e porque “reverendo(a)” não se trata de um título, mas sim uma forma digna e respeitosa de nos referirmos àqueles que dedicam suas vidas e as entregam aos Deuses, com extrema reverência. Isso significa que no nosso grupo, membros Iniciados passam a serem reconhecidos como reverendas(os) , até como uma forma de facilitar nosso trabalho público e reconhecimento de nosso sacerdócio, quando da visitação em asilos e hospitais. Não nos importamos com títulos, mas sim com nossa identidade.

“Nunca ouvi falar de ‘círculo’ na Wicca. Os grupos se chamam ‘covens’!” – Mais um absurdo oriundo da ignorância sobre Wicca e que infelizmente tem sido alimentada por pessoas que se dizem praticantes da mesma. Covens são realmente a forma mais conhecida e tradicional de se praticar Wicca em grupo, entretanto, Círculos são tão comuns quanto eles e tratam-se de estruturas grupais semelhantes, com a diferença de que os primeiros possuem uma egrégora mais antiga e fundamentada. Apesar de na prática já podermos ser considerados um Coven, não estamos desesperados para assim sermos reconhecidos, pois esse é o tipo de coisa que consideramos mínimo em nossa caminhada. Além do mais, temos consciência da responsabilidade que é assumir um Coven e reconhecer sumo-sacerdotes, algo que jamais ocorrerá da noite para o dia, como infelizmente tem acontecido entre alguns grupos desorientados e que com esses engodos, só estão contribuindo cada vez mais para uma imagem negativa do Paganismo e da Religião Wicca.

Sobre atividades públicas

Em poucos meses de existência, o Círculo Serpente de Fogo já havia agregado às suas atividades normais de culto e treinamento sacerdotal, o conhecido trabalho público herdado do caminho de alguns de nossos membros-fundadores, passando a fazer desse serviço à comunidade pagã do Rio Grande do Sul, não somente uma forma de qualificar nossos sacerdotes e sacerdotisas, mas também uma agradável maneira de dançar o ritmo dos ciclos e dos Antigos, de uma forma livre, simpática e popular. Nossos membros são estimulados a compreender o quão importante é a interação direta com a comunidade local, pois acreditamos que informar e proporcionar esclarecimento a respeito das práticas pagãs trata-se de uma obrigação para todos aqueles que querem e pedem por um mundo mais livre de preconceitos. Aliás, é importante salientar que não realizamos atividades públicas e externas para reunir adeptos, buscar satisfazer qualquer tipo de “missão divina”, muito menos com o intuito de fazer proselitismo. Nossa intenção é tão somente satisfazer nossas próprias expectativas a respeito daquilo que consideramos sadio e interessante para a Velha Religião na nossa comunidade, de acordo com aquilo que já foi mencionado. Atualmente o C.W.S.F. é encarregado de duas importantes atividades públicas no RS: o Encontro Social Pagão®-RS, o qual ocorre mensalmente e o Dia do Orgulho Pagão – Porto Alegre, que ocorre anualmente. Ambos são eventos fundados e coordenados por grupos distintos (o primeiro pelo Projeto Gaia Paganus®, do Rio de Janeiro; o segundo pelo Pagan Pride Project®, dos EUA), mas que são de nossa responsabilidade em nossa região. Isso significa – e é importante salientar, visto os engodos gerados por alguns – que não podemos nos responsabilizar por atividades que não estão sob nossa direção, e que tanto o ESP®-RS quanto o Dia do Orgulho Pagão – Porto Alegre são atividades coordenadas unicamente por nós e com a participação de AMIGOS da Casa.

Em suma, não buscamos estarmos certos ou errados, pois não nos pautamos nessa linha ocidental de raciocínio. Também não buscamos nenhum tipo de fama, pois já temos larga experiência a respeito do que isso significa e o que acarreta a curto e em longo prazo. Buscamos sermos NÓS MESMOS, num eterno e profundo exercício de AUTENTICIDADE e sincera reverência aos Deuses que honramos e os quais nos concedem todas as suas Graças.

E como último esclarecimento, deixamos claro que não viemos por meio desse gerar mais polêmicas ou desconforto à comunidade, mas sim manifestar nosso incômodo e insatisfação para com situações desagradáveis que a nós tem acometido e principalmente proporcionar informações seguras e verdadeiras a respeito do nosso trabalho e de nossa congregação.

Brasão copy

Agradecemos pela atenção.

Abençoados sejam pelos Deuses que nos amparam.

~ CÍRCULO WICCANIANO SERPENTE DE FOGO
Samhain 2009

[ Untitled ]

•maio 5, 2009 • Deixe um comentário

“O verdadeiro amor não é aquele que se alimenta de carinho e beijos
mas sim aquele que suporta a renúncia e consegue viver na saudade…”

autor desconhecido

[ content suppressed ]

•março 30, 2009 • Deixe um comentário

Como diria minha avó: cala-te boca!

Isso é uma coisa que tenho que melhorar. Saber a hora de ficar quieto, guardando meus sentimentos e preocupações apenas comigo. Não foi nem uma e nem duas que já aconteceram brigas e discussões bestas por um comentário bem intencionado.

Tem gente que simplesmente não merece a preocupação alheia. Desculpem, estou meio indignado exatamente agora. Cansado de frescuras, meias-palavras e de me podar. Fico me adaptando pra agradar as pessoas e não consigo nem agradar a mim mesmo.

Vontade de mandar tudo a [ content suppressed ] e pronto. Seria bem mais fácil, simples. Como é difícil colocar na cabeça das pessoas a idéia de que eu não estou aqui para ser comparado a ninguém e não quero ocupar o espaço que não me pertence. Quero o meu espaço, valorizo as pessoas pelo que elas são, não por conceitos pré-formados e batalho por aquilo que quero e acredito.

Não quero me justificar ou me desculpar, ficar medindo e resumindo frases. É mais ou menos como Cazuza canta:

“Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num ‘clip’ sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e ‘rock’n roll’

Talvez o melhor mesmo seja ficar quieto, deixar aquilo que valorizo bem guardado, seguro, intocável e invisível aos outros, passando desapercebido, disfarçado num sorriso ébrio e malicioso. Ser igual a todo mundo, com o foda-se ligado, mandando à merda qualquer um que me olhe torto.

Aos que se prestarem a ler isto, foi um desabafo. Irritado e cansado de certas atitudes, cansando de ser um cara legal.

Bozinho só se fode, fato.

A Torre e os Fantasmas

•março 19, 2009 • Deixe um comentário

Pensando no significado da carta A Torre, do tarô: “Em sentido geral, indica dificuldades em todos os aspectos; no plano mental, adverte que o consulente está mergulhado numa situação governada pela temeridade, no qual tudo tende a ser resolvido com presunção, sem atender ao chamado do bom senso ou aos conselhos de outras pessoas. Além disso, a pessoa corre o risco de estagnação, pois se escraviza as idéias que acredita certas.”

No final das contas e apesar de tudo que me foi dito, o ser teimoso aqui insistia em segurar uma torre toda sozinho. Sério, sempre achei que tinha “paleta” pra qualquer coisa. Não que eu ache que não tenha mais, tenho sim. Mas acho que posso e devo escolher aquilo que eu quero preservar. Tristeza e desilusões ensinam a viver, tornando-nos mais fortes e aptos a viver nesse mundo, muitas vezes seco e cruel com seus habitantes. Todo o conjunto do meu passado é apenas um reflexo do que eu fui, das minhas escolhas, choros e sorrisos.

Então, ao deixar uma torre cair, me veio uma outra questão: que fantasmas poderiam surgir destes escombros? Como pagão vivo os ciclos, onde tudo tem seu início e fim bem definidos e para que eu possa finalizar questões pendentes, elas devem estar claras e bem direcionadas. Mas “limpar a sujeira” implica em também sujar as mãos ou cutucar algumas feridas, sejam as minhas ou as de outras pessoas. Nunca me achei apto a ficar julgando as pessoas e sempre que fiz isso me dei mal. Acabava errando em coisas quase que semelhantes. Mas ficar de observador já cansou, nesses últimos meses passei por várias mudanças de postura, tendo picos de raiva, ódio, amor, tristeza, depressão… mas tudo isso me guiou até um estado de auto-conhecimento que eu precisava compreender.

Dizem que “há males que vem para o bem” mas arrisco dizer que não existem males mas sim situações que põe à prova nossa capacidade, obrigando o crescimento e amadurecimento, nem que seja por lágrimas. É isso que eu quero, fechar um ciclo conturbado sem que restem fantasmas assombrando o local onde a torre cairá, pois dos escombros nascerá uma nova obra, dando início a um novo ciclo…

[des]Confiança

•março 16, 2009 • Deixe um comentário

Sabem, algo que eu digo pra quase todo mundo que me conhece: “Não confunda minha bondade com fraqueza ou idiotice.” Mas acho que nem mesmo eu venho seguindo meu próprio ditado, não estou sendo justo comigo mesmo.

O que acontece quando você descobre que as pessoas tem um julgamento precipitado quanto ao que você realmente é? Provávelmente fruto de algumas séries de mentiras que foram acumulando ao decorrer dos dias, passando essa informação a todo um grupo de amigos no melhor estilo “telefone-sem-fio”.

Pois é, no final das contas a fofoca em sí não me incomoda mais do que o fato de querer saber a origem dela. A pessoa que começou isso era alguém de confiança? Ou foi apenas um abobado que não tinha mais o que fazer da vida? Tenho minhas suspeitas, mas algumas me deixam bem tristes e gostaria que não fossem verdade.

Borboletas

•março 16, 2009 • Deixe um comentário

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Mário Quintana

 
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